16.1.16

Conto de Natal



Cheguei à meia- idade cheio de ideias sobre todas as coisas. Sou um filósofo. É o que dizem. Penso e repenso a vida e tiro de tudo as mais brilhantes conclusões. Deixei crescer a barba. Um pouco também os cabelos. Uso uma roupa como convém—tênis, camiseta, jeans—neste século não cabe a toga.

Moro só. A família existe, é grande e se espalha pela grande cidade. Está por aí. Negócios, dinheiro, festas, missa aos domingos. Cabeleireiro, piscina, motel. Está por aí. Distraindo a vida do encontro com a morte. Não me procuram—coitado, pirou de vez!—Não os procuro. Nada tenho a ver com eles. Nada a dizer-lhes. Nada a ouvir deles. Existo, existem. É só.


São tão difíceis as ligações entre as pessoas, a convivência, o relacionamento. Quais as interferências? As causas e as consequências? Não tenho sono. Perco-me em mil conjecturas e devo confessar, apesar de uma certa vergonha, que nada concluo. Limito-me a repetir “antes só do que mal acompanhado” o que, afinal de contas, não é nada original.

A manhã me encontra exausto, de olheiras e mau humor. Não aceito ser derrotado por nenhum problema existencial. Isso me deixa deprimido.


Hoje é domingo. Há o sol e céu azul e mar. Penso em dar um mergulho. Porém... A praia vai estar entupida de gente. Os pés das pessoas na minha toalha, os traseiros em meu rosto. As crianças jogarão areia em meus olhos e respingos de água gelada em meu corpo aquecido. Pisarei em cocô de cachorro, ao me dirigir à água, baterei com o cotovelo em alguém, ao mergulhar, e pedirei desculpas a um rosto zangado. Decidido: não vou. Ficarei na cama até sentir o corpo doer. Quem sabe durmo um pouco? Hoje é domingo. Não há aulas—acho que disse que sou professor.—Não? Isso não importa realmente. É uma forma de sobreviver.

Tenho fome. Requento o café de ontem. Pão, presunto, um pedaço de mamão. O estômago se acalma. Um conhaque, dois cigarros e a cama novamente. Durmo afinal.

O telefone toca insistente e irritantemente. Oi, é você? Que voz! Não acredito que está dormindo até agora! Deus, são nove da noite. O que é que há com você? Esperei o dia inteiro que me ligasse. A esta hora é claro que você não vai sair e eu esperando aqui que nem uma idiota já devia ter desistido mas não, fico tentando compreender aceitando tudo esperando que vossa excelência dê o ar da graça que se lembro que eu existo que estou viva que também preciso de atenção e...quer saber? Volte a dormir, morra, se puder, eu...merda! eu falo com você amanhã!


São difíceis as ligações entre pessoas.

É melhor um mau relacionamento do que a solidão?

“Antes só do que mal acompanhado!” Que inferno, não consigo melhor conclusão?!

Sinto pontadas agudas no estômago. Deve haver sobras do jantar de ontem. Não, não há, responde a geladeira. O senhor não se importa que eu leve pra casa pras crianças? Leva, pode levar, amanhã como no restaurante.

Tomo um banho demorado e saio. O movimento é grande na churrascaria. Péssima escolha. É perto, já estou aqui...Escorregando no chão gorduroso, chego à mesa dos fundos. No canto.

A carne sangrenta e macia entre os dentes dá um prazer esquisito. O chope geladíssimo acalma a excitação.

Pessoas em redor riem, conversam.

Mãe, esta carne tá cheia de gordura, eu não quero! Come, garoto, teu pai vai pagar um dinheirão, tu não vai desperdiçar. Deixa ele, come o que quiser, filhão! Pega esta linguicinha aqui, tá o bicho! Por isso é que esse menino tá um enjoado, se fosse meu pai me empurrava pela goela abaixo. Não tinha discussão! É por isso que tu é uma chata. Diz e ri alto, a boca cheia de farofa de ovo. A mãe faz cara de zanga. O garoto não diz nada. Joga a carne debaixo da mesa e ataca a linguiça.

Garçom, esta carne está dura feito sola de sapato. É gordo. É muito, muitíssimo gordo. E vermelho. Daria um excelente frade. No aspecto, pelo menos. A carne é trocada e ele, entendido, espeta-a com o garfo. Agora sim!, aprova. Abre as mandíbulas, enfia ali um naco que mastiga com sofreguidão. Pelo queixo mal barbeado escorre um filete de gordura.

Um grupo agitado na mesa ao lado. Copos de chope são trocados com enorme rapidez. Riem muito, fazem piadinhas uns com os outros, levantam brindes. Que continuemos todos juntos. Comemoram haver sobrevivido mais um ano. Abraços, beijinhos. O rapaz louro de bigode fino deixa escorregar a mão e aperta as nádegas polpudas da mulatinha ao lado. Ela ri, não se incomoda. É festa.

Procuro imaginar-me ali, num grupo como aquele. Não poderia. Sinto que não. Prefiro ficar assim, observando, tecendo comentários comigo mesmo, analisando cada gesto e reação, tirando minhas conclusões. Sou um filósofo. É o que dizem. Não gosto de perder tempo com futilidades, distrair as ideias, ouvir uma série de baboseiras e me obrigar a dizer outras tantas.

Aborreço-me aqui. Volto para casa e torno a dormir.

Este é o meu ambiente—sala de aula.

Ensino, explico, falo, raciocino, emito conceitos, tiro conclusões.


Sou mesmo um professor sério. Gosto de sentir os olhares de admiração e respeito fixos em mim. Suspensos no que digo, ouvem, sem sequer ousar interromper. É realmente uma boa sensação. Quando tentam aproximar-se de mim procuro manter a devida distância. Acho ridículos os colegas que se envolvem com os alunos. Trocam impressões, confidências. Conhecem as vidas particulares uns dos outros. Parecem-me tolos todos eles. Suas ocupações menores, seus problemas mesquinhos, as preocupações medíocres. Nos intervalos das aulas, nos encontramos na sala dos professores. Fico a um canto, ouvindo, entediado, o que se diz. Elas, o custo de vida, a diarreia do bebê, as empregadas, os problemas psicológicos do aluno tal, as novelas. Eles, o futebol, a mulher do outro, as contas altas, o salário baixo. Evitam-me—acho ótimo. Fúteis, bobos, chatos. Todos eles.

Assim, passa o dia.

Caminho de volta pra casa, em meio a uma multidão de cabeças sem rosto que entopem as calçadas. Jingle bells, jingle bells, jingle all the way...Um papai-noel, agasalhado e barbudo, sacode freneticamente uma sineta. Um papai- noel magro, suarento e cansado neste tórrido calor tropical. Papai-noel tipo importação. Nas vitrines neve, renas e trenó. Tão engraçado! As pessoas se empurram, pacotes caem. A criança berra, assustada. Que que é isso, filhinho? Beija o papai- noel. Ora, vamos, se você chorar ele não traz o carrinho que você pediu! E papai-noel sorrindo contrafeito, atrás da barba de algodão.


Chego a casa, janto e vejo tv. O telefone toca. Sou eu, desculpa por ontem, mas eu estava com tanta raiva! Fiquei magoada, desculpa, tá? Como foi o seu dia?


A garganta estrangula o eu te amo, estou aqui, preciso de você. Falo do final do ano letivo, graças a deus, do meu cansaço, do sem saber o que fazer nas férias, do tempo, da falta dele. Discurso sobre a mediocridade da vida e das pessoas, da falsidade e comercialização do natal... Ela ouve calada. Digo boa-noite, durma bem, desligo.

Devia ter perguntado sobre sua vida, seus planos, desejos e aspirações? Como se sente? Devia lembrar que depois de amanhã é natal e dizer que gostaria de estar com ela? Quem sabe era importante tê-la chamado para junto de mim, sem filosofias, sem medos, sem lógicos raciocínios?

Analisando cuidadosamente a situação, na verdade, eu devia...

Devia ter chorado muito, desesperadamente. Devia ter gritado ao seu ouvido

Socorro, amiga, estou só!















  Texto de Rosa Maria Ferrão - janeiro/2016

SÓ PENSANDO...MAIS PERGUNTAS QUE RESPOSTAS




Respeito é bom e todo mundo gosta. Certo? É, parece que sim! Pelo menos a imperativa: “me respeite” é intensamente ouvida por aí. Pois é...mas o que significa isso-respeitar? Parece óbvio, mas, como o óbvio é resultado de um intenso pensar sobre algo, até que não reste qualquer dúvida, o que parece óbvio nem sempre o é.








Respeito tem sua origem no latim, respectus, que significava olhar outra vez; atenção.

Seu atual emprego vai desde ser uma forma de veneração, de prestar culto ou homenagear alguém, como pode implicar uma forma de submissão e temor, assim como significa não discriminar ou ofender outra pessoa por causa de sua forma de ser, pensar ou viver. Ou seja, há uma gama ampla de significação a ser observada.

Vou então pela via da significação original: olhar outra vez. Afinal por que razão se olharia outra vez? Na verdade, parece-me, porque nada nem ninguém é respeitável por si só, não é atávico. Quem nos diz o que ou quem é digno de respeito? É algo natural, espontâneo? Ou nos é ensinado? Ou imposto? Mas, se é imposto, é respeito? Ou medo? Pode-se exigir respeito? Com base em que parâmetros?

Olhar outra vez...observar com atenção. Sim, me parece um bom conselho...porém, o meu olhar observa o mesmo que outros olhares procuram? O que eu acredito digno de respeito é o mesmo que o outro considera? Como se estabelece isso?




Na verdade, não se pode exigir, sequer pedir a alguém que nos respeite. O processo é totalmente inverso, isto é, tudo tem que partir de mim, pois se me respeito, se minhas atitudes estão em conformidade com o que minha consciência considera justo e correto; se meu modo de agir reflete essa postura; se acredito convictamente que minhas ações obedecem a valores realmente considerados básicos para uma convivência saudável com os outros, se...Dá pra entender? Resumindo: é fundamental construir-se como alguém respeitável aos próprios olhos.



Claro que, como disse acima, não poderemos garantir que seremos considerados pelo mundo como pessoas dignas de respeito em função das imensas variáveis que isso envolve, mas estaremos melhor conosco e (quem sabe?), ao nos olharem outra vez, algumas pessoas passem a nos respeitar também.

                                                                                          Texto de Rosa Maria Ferrão- janeiro/2016

4.11.15

Pequena variação em torno do mesmo tema


Gosto de ser mulher, sempre gostei.  Nunca pensei que seria melhor ser outra coisa qualquer: homem, animal ou planta. Todavia, não me importaria, sinceramente, se fosse qualquer uma dessas coisas.
Isso acontece porque, na verdade, a forma em que habito é totalmente independente daquilo que sou. Sou muito mais, sou além de. Uma rosa dentro de uma jarra de cristal, num vaso de barro, ou pendente da roseira continua sendo isso exatamente: uma rosa.
Por essa razão, a consciência total desse fato, não me perturba profundamente, o que pensem digam, ou como ajam em relação ao fato simples e básico de ser mulher. Eu sou. Certo?
Ah, mas isso é você-poderão dizer... e eu concordarei. Fui educada para pensar em mim mesma como um ser integral cuja preocupação maior devia ser com sua consciência e suas atitudes,  reconhecer seu valor e suas fragilidades e a trabalhar com elas da melhor forma possível, considerando o fato óbvio que no mundo encontraria gente pior e gente muito melhor do que eu, nas diferentes áreas da vida. E assim tenho olhado o mundo. Não me sinto acima, nem abaixo de ninguém, por essa razão aceito o que quero, quando quero e de quem quero. Duvidam? Sinto muito, mas não tenho que provar nada a ninguém.


Mas e as outras mulheres? Bem, aí fica muito mais difícil a análise da situação A complexidade de infinitas interferências nesse tema daria muitas teses de pós-doutorado e o assunto não se esgotaria tão cedo. Não sou socióloga e minha visão ficaria restrita ao entorno de minhas vivências, portanto, parcial e equivocada.
Acho corajoso, útil e necessário o trabalho desenvolvido por todas as feministas que teorizaram, lutaram e atuaram, e ainda o fazem, no sentido de mostrar às mulheres suas condições deploráveis -em muitos casos- de dependência moral, intelectual, financeira, emocional num mundo de séculos de predominância masculina. Embora acredite que nem todos os caminhos foram proveitosos, ou bem escolhidos, essa falha faz parte de toda ação em que se pretenda romper com padrões milenarmente incrustados nas sociedades.
Mulheres não têm que ser iguais aos homens, não têm que pensar nem agir da mesma forma. Mulheres têm que ser o que são: capazes, independentes, conscientes de seu valor, suas possibilidades, seus direitos, orgulhosas de suas qualidades e suas características. Só assim poderão ‘enfrentar’ de cabeça erguida e sem temores os problemas que as afligem. Nem atrás, nem à frente de ninguém. Lado a lado, numa parceria proveitosa para todos.

Rosa Maria Ferrão –novembro/2015

21.9.15

Pensão para cavalheiros de fino trato




Sento-me diariamente aqui a partir das sete horas. Nas mesas as mesmas faces de sempre, sem nome e sem vida que eu conheça. Deixo-me ficar. Vejo a calçada, os pés de pessoas. É incrível como se podem conhecer detalhes íntimos de alguém, observando seus pés.
       O sono vem, vem o garçom: lastimo, hora de fechar, boa noite, até amanhã, bonita noite, não?
       Cansaço e álcool entorpecem-me as pernas. A comida avinagra o hálito.
       Lua alta. Divirto-me em pisar a própria sombra. Asfalto gasto, buracos na calçada, bosta de cachorro. Ó Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, onde?
       Meus bolsos vazios furados. O chão passa devagar sob meus sapatos gastos. Meu quarto de pensão.


      
O senhor sabe, exigimos respeito neste lugar. É pra evitar problemas. Imagine que há algum tempo...
       É gorda e velha e feia e tem um enorme buço preto acima da boca rubra e gordurosa de batom. Ex-prostituta, ex-cafetina, ex-proprietária de cabaré, respeitável dona de respeitável pensão só para cavalheiros.
       ... e ela lá, morta em cima da cama. Um escândalo! O senhor sabe como é. Uma vergonha para o estabelecimento e um prejuízo para os negócios.



       Jogo-me vestido sobre o lençol imundo. O calor abafa. Há zumbidos no ar. Malditas moscas, maldita sujeira! Meus olhos pesam. Sufoco. Alguém aperta meu pescoço magro. Tiro a gravata sebosa, as roupas. As pulgas não me permitem descanso. Já se veem os contornos dos móveis do quarto: a cadeira de três pernas, a gravura do Sagrado Coração, o armário sem portas. Acendo um cigarro e espero a manhã.
       Despertar de café sem leite, pão sem manteiga.
       Até logo, tenha um bom dia. Temos tripa hoje no jantar. Gosta?
       Sim, sim, muito. Até às sete.



       O ônibus lotado, o cheiro acre do sovaco do trocador, pisões, empurrões. A cotovelada no rosto. Não se preocupe, nem doeu.
       Por que disse isso, afinal? Doeu pra burro... E, diacho, tenho nojo de tripa. Há tanto tempo perdi o hábito de reclamar, de opinar, discutir...restou-me o sorriso imbecil, o não foi nada, o obrigado, alguns suspiros, rugas na testa e nada mais.
       Pouco a pouco, amoleci, curvei a espinha. Virei bosta. Sinto o fedor de mim mesmo. As moscas também.
       Com licença, desculpe, vou descer.
       Besteira mesmo ficar pensando nisso.
       Enrolo os pés na escada. Aliso com as mãos o terno amassado. Chego à minha mesa na grande sala do Tribunal. Minha mesa: ofícios, protocolos, petições, mandados. Ofícios, protocolos, petições, mandados. Ofícios...



  
       Barulho do ventilador. Apito de trem. Lembrança que vem, vai, escapa, torna a vir...
       Minha mala de couro cru fedia. Pai e mãe na estação. A esperança deles, o meu medo. Os olhos do pai mandando confiança. Os olhos da mãe brilhando em águas azuis, escorrendo mansinho, pingando o vestido preto.
       Tá pensando na morte da bezerra, seu? O serviço sai ou não sai?
       Cara infeliz, puxa-saco desgraçado. Qualquer dia destes...
       Caramba, levantei mesmo de mau humor! Plict, plact, plict. As teclas do computador ferindo o silêncio. Rápidas. Em observância à lei 54321...
       Estação—Faculdade de Direito. O pai acreditando. A mãe e o embrulho de empadinhas.
       Faculdade de Direito—Doutor Fulano de Tal—escritório, secretária, diploma na parede, anel.
       Livros noites insones dinheiro curto estudo estudo estudo. Mulheres? Em revistas emprestadas no sonho na rua de longe.



       Já está pronto o processo do caso Antunes? Ô cara, que é que há contigo?
       Já já já. Já está pronto, sim senhor. Há anos, há séculos, há milênios!! Pro inferno!
       Assustei-o. Talvez não devesse ter falado assim. É um ferrado que nem eu. Preciso me controlar. Não sei o que há comigo. Afinal, o aumento sai no mês que vem: terno novo, pensão nova, ela olhando pra mim. Ela. Pescoço macio ancas de potranca nova saudável cheiro de violeta beijo morno úmido e o olhar: fogo e convite.
       Besteira ficar sonhando. Qualquer chefinho de meia- tigela tem mais oportunidade que eu.
       Gosto de sangue na boca.
       O pai orgulhoso até o fim. Falido, doente e calado.
       A mãe e o telegrama. A morte do pai, a morte do sonho. As dívidas do pai, o emprego no tribunal.
       Estas paredes tão altas, tão cinzentas! Esmagam, oprimem. Barata sob sola de sapato. Cheiro de desinfetante no ar.
       Minha mesa, o computador, pilhas de papel, janelas altas, luz elétrica, a porta...
       Hoje você fica até às nove. Serviço atrasado, sabe como é, muito que fazer...Ei, que é que há cara, não tá me ouvindo? Onde é que cê vai?
       A voz dele aguda, longe. Longe cada vez mais.





       Sol forte obrigando a espremer os olhos. Crianças saindo da escola. Gritos felizes. Carros, pessoas. Vida.
       O ar do meio-dia enche meus pulmões do suor das pessoas, da fumaça dos automóveis, da poeira do asfalto. Meus olhos se deslumbram com todas as cores e os ouvidos com todos os sons.
       Sinto a vibração de nervos e músculos. Quero jogar fora toda a velha vida .
       Quero vida nova novo rumo caminhos de não sei pra onde e nem pra quê o infinito o desconhecido o ódio o amor terror e luta.  Como?
        Não sei nada agora.  Nada sei agora.

Só sei que quero viver.

Texto de Rosa Maria Ferrão
Imagens - Rosa Maria Ferrão